O Dia das Crianças movimenta diferentes tipos de presente — e tecnologia já faz parte desse universo para muitas famílias, principalmente quando a escolha passa por games, entretenimento, estudo, música ou pelo primeiro dispositivo de uso pessoal.
Os números ajudam a dimensionar a oportunidade. Em 2025, 70% dos consumidores pesquisados pela CNDL e pelo SPC Brasil planejavam comprar pelo menos um presente para a data. A expectativa era movimentar R$ 16,73 bilhões no varejo, com gasto médio de R$ 297 e compra de 2,3 presentes por consumidor.¹
Brinquedos, roupas e calçados continuam tendo peso importante nesse orçamento. Para uma loja de tecnologia, porém, a pergunta mais útil é outra: dentro do público que já compra games, informática, smartphones, áudio e acessórios, quais produtos têm mais chance de entrar nessa escolha?
É daí que deveria nascer o mix. Não da quantidade de SKUs disponíveis, mas da combinação entre perfil do cliente, faixa de investimento, estoque e função comercial de cada produto.
O cenário de 2026 abre espaço para olhar o mix com atenção
Os indicadores mais recentes do varejo trazem algumas pistas interessantes.
Segundo o Panorama do Comércio da CNDL, o segmento de “Materiais para escritório”, que inclui itens de informática na classificação utilizada pelo IBGE, avançou 6,1% entre janeiro e maio de 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior. Foi o melhor desempenho entre os segmentos apresentados no levantamento.²
Outro dado vem da Intenção de Consumo das Famílias, da CNC. O indicador “Momento para Duráveis” cresceu 20,3% em junho de 2026 frente a junho de 2025, enquanto a percepção sobre acesso ao crédito avançou 6,8%.²
O cenário é mais favorável, mas pede leitura cuidadosa na hora de transformar tendência em estoque.
No Dia das Crianças, essa cautela encontra um consumidor bastante atento ao preço. Na pesquisa de 2025, 76% afirmavam que pretendiam pesquisar antes de comprar. Ao mesmo tempo, 40% planejavam parcelar alguma aquisição, principalmente no cartão de crédito, em média por cinco prestações.¹
Para quem trabalha com produtos de maior tíquete, preço e parcelamento entram naturalmente na estratégia. Só não precisam ser a estratégia inteira.
Cada categoria pode cumprir uma função diferente
Uma campanha fica mais fácil de organizar quando o varejista deixa de olhar apenas para categorias e começa a pensar no papel comercial que elas podem desempenhar.
- Games têm forte conexão com entretenimento e podem gerar produtos-âncora. Consoles atraem atenção; controles, headsets e periféricos estendem a venda e permitem trabalhar outros valores.
- Áudio e acessórios ocupam uma faixa diferente. Fones e acessórios de telefonia ampliam o acesso à campanha, atendem quem procura um presente de menor tíquete e ainda funcionam como venda complementar.
- Informática permite trabalhar uma combinação particularmente interessante: estudo, criação e entretenimento. Para determinados públicos, um notebook pode ser uma compra relevante justamente porque continuará tendo utilidade depois da data.
- Smartphones e wearables pedem mais segmentação. A aderência tende a crescer entre crianças maiores e adolescentes, quando entram questões como primeiro aparelho, mobilidade, comunicação e uso pessoal.
Essa leitura ajuda a evitar um problema comum: oferecer tudo com o mesmo peso. Uma loja não precisa colocar todas essas categorias na vitrine para aproveitar o Dia das Crianças. Precisa descobrir quais delas conversam melhor com seu público.
Produtos-âncora chamam atenção. O restante do mix precisa sustentar a escolha.
Ter sortimento amplo não significa comunicar todo o sortimento. Alguns produtos podem receber protagonismo porque têm preço competitivo, desejo reconhecido ou capacidade de trazer tráfego para a loja. São os produtos-âncora.
Um console pode exercer essa função em games. Um notebook com configuração e condição atrativas pode fazer o mesmo em informática. Em áudio, talvez seja um modelo que entregue uma percepção clara de valor sem levar o tíquete para outra categoria.
Depois entra o restante do mix.
Se o cliente não quer ou não pode investir naquele produto principal, qual é a alternativa? Esse ponto parece simples, mas muda bastante a venda. Em vez de construir uma campanha concentrada em uma única faixa, o lojista pode trabalhar uma escada de investimento: acessórios e itens de entrada, soluções intermediárias e equipamentos principais.
O consumidor não precisa enxergar essa estrutura. Precisa apenas perceber que existem boas opções dentro do que pretende gastar. E isso ganha importância em uma data na qual cada comprador previa adquirir, em média, mais de dois presentes.¹ O orçamento para um filho pode ser completamente diferente daquele reservado a um sobrinho ou afilhado.
Combo não é juntar produtos. É facilitar uma escolha.
Um bom combo tem uma lógica que o consumidor entende em poucos segundos.
Console com segundo controle resolve o desejo de jogar acompanhado. Notebook com mouse e headset combina estudo, criação e entretenimento. Smartphone com proteção e fone forma um conjunto coerente para quem está recebendo um aparelho. Para uma compra menor, um acessório ou uma solução de áudio pode ocupar sozinho o papel de presente.
A combinação não precisa existir apenas para elevar o tíquete. Ela pode resolver algo que o cliente talvez precisasse comprar depois ou tornar a escolha mais simples naquele momento. A conta comercial vem logo em seguida.
Reduzir o preço de dois produtos ao mesmo tempo não transforma automaticamente a oferta em um bom combo. Em alguns casos, o item principal pode carregar a atratividade enquanto o acessório ajuda a preservar margem. Em outros, a condição diferenciada pode existir apenas na compra conjunta. Parcelamento também pode ser parte importante da proposta quando o valor sobe.
A NIQ aponta que quase dois terços dos compradores globais de Tech & Durables analisados apresentam alta sensibilidade a preço. Ainda assim, a empresa identifica espaço para produtos de maior valor quando a diferença entregue é percebida pelo consumidor.³
Para o varejista, isso reforça uma regra bastante prática: não basta o produto custar mais. O cliente precisa entender o que recebe a mais.
Quem escolhe o presente também precisa encontrar respostas
O Dia das Crianças tem uma particularidade: quem usa nem sempre é quem decide a compra.
Na pesquisa da CNDL/SPC, metade dos consumidores pretendia presentear filhos, 34% sobrinhos e 16% netos.¹ Isso coloca pais, tios e avós diante de produtos que, muitas vezes, eles não conhecem tão bem quanto a criança ou o adolescente que vai recebê-los. É uma oportunidade para melhorar a exposição e a abordagem.
Em vez de comunicar apenas especificações, a loja pode organizar escolhas por uso: “para jogar”, “para estudar e criar”, “para ouvir música”, “para quem está começando” ou “para quem já joga e quer melhorar a experiência”.
A ficha técnica continua importante. Só não precisa ser o primeiro contato. Quem não conhece a diferença entre dois headsets provavelmente vai entender melhor “mais conforto para jogar por mais tempo” do que uma sequência de siglas. O mesmo acontece com notebooks, smartphones e wearables. A campanha fica mais fácil de comprar quando a linguagem ajuda quem está escolhendo o presente.
E aqui o vendedor tem um papel importante. Perguntar primeiro como o presenteado pretende usar o produto pode revelar muito mais do que começar diretamente pelo preço.
O tamanho da loja também muda a montagem do mix
Não existe uma profundidade de estoque que funcione para todos.
Para uma loja independente, concentrar investimento em poucos produtos-âncora, SKUs de giro conhecido e acessórios pode ser mais saudável do que abrir demais o sortimento. Capital parado pesa mais nesse tipo de operação. Uma rede de médio porte já consegue trabalhar faixas de preço mais amplas, adaptar o mix por região e explorar combinações diferentes entre categorias.
Grandes redes têm ainda mais possibilidades de segmentação. Produtos podem variar por praça, perfil de loja ou canal; desempenho e estoque podem ser acompanhados durante a campanha para corrigir rota. Mas escala não muda a lógica principal.
Estoque precisa acompanhar a função que aquele produto terá na campanha.
Um SKU escolhido para gerar tráfego exige uma leitura diferente de um acessório vendido principalmente como complemento. E ambos pedem atenção ao que acontece depois de 12 de outubro.
Black Friday e Natal estão próximos. Carregar para novembro um estoque montado apenas para uma campanha de outubro pode reduzir a flexibilidade justamente no período mais importante do ano.
Sell-out ajuda a decidir antes, não apenas a medir depois
Esse talvez seja um dos pontos mais relevantes para o varejista. Sell-out não deveria aparecer apenas no relatório final da ação. Histórico de vendas, velocidade de giro, cobertura, estoque disponível e desempenho por faixa de preço podem ajudar a escolher o mix antes da campanha começar.
Durante a data, alguns sinais permitem ajustes rápidos: ruptura de um produto, baixa saída de outro, desempenho acima do esperado de determinado acessório ou resposta diferente entre lojas.
Depois, a análise completa a leitura.Qual categoria respondeu melhor? Houve venda complementar? O produto-âncora realmente trouxe volume? O combo aumentou a cesta ou apenas concedeu desconto? Qual estoque ficou para trás? Essas respostas valem para a próxima campanha e, principalmente, para o planejamento de Black Friday e Natal.
É aqui que o calendário começa a funcionar como aprendizado comercial, e não como uma sequência desconectada de ações.
Onde a RCELL pode contribuir
A RCELL trabalha com um portfólio amplo de tecnologia, incluindo telefonia, games, informática, áudio, vídeo, acessórios, wearables, eletrodomésticos e eletroportáteis.⁴ Para o Dia das Crianças, essa amplitude é mais valiosa pela possibilidade de selecionar do que pela quantidade de produtos disponível.
Um cliente com força em games pode concentrar investimentos em consoles, periféricos e acessórios. Outra operação pode encontrar mais aderência em informática e áudio. Há lojas em que produtos de entrada terão maior participação; outras têm público e condições para trabalhar equipamentos de tíquete superior.
O mesmo raciocínio vale para combos e profundidade de estoque. É nesse ponto que a atuação da RCELL pode ir além do abastecimento: conectar portfólio, disponibilidade e leitura comercial para apoiar cada varejista na composição mais adequada à sua realidade.
Porque o melhor mix para o Dia das Crianças não é o maior. É aquele em que cada produto tem uma razão para estar na loja, na campanha e no estoque.
Fontes
¹ CNDL / SPC Brasil — “Dia das Crianças deve movimentar 16,7 bilhões no varejo, apontam CNDL/SPC Brasil”. Publicado em 3 de outubro de 2025. Pesquisa nacional realizada nas 27 capitais, com dados sobre intenção de compra, gasto médio, quantidade de presentes, categorias procuradas, pesquisa de preços, presenteados e meios de pagamento.
https://site.cndl.org.br/dia-das-criancas-deve-movimentar-167-bilhoes-no-varejo-apontam-cndlspc-brasil/
² CNDL — Panorama do Comércio, Julho/2026. Relatório que reúne indicadores de IBGE, CNC, Banco Central, FGV, SPC Brasil e outras fontes. Foram utilizados os dados sobre desempenho do segmento “Materiais para escritório”, Intenção de Consumo das Famílias, Momento para Duráveis e acesso ao crédito.
https://site.cndl.org.br/wp-content/uploads/cndl/2026/02/Panorama-do-Com%C3%A9rcio-07-26.pdf
³ NIQ — “The New Premium Playbook: How Tech & Durables Brands Can Earn, Scale and Sustain Value Growth”. Publicado em 3 de agosto de 2026. Análise global sobre sensibilidade a preço, valor percebido e premiumização no mercado de Tech & Durables. Os indicadores não são específicos do Dia das Crianças brasileiro.
https://nielseniq.com/global/en/insights/analysis/2026/the-new-premium-playbook-how-tech-durables-brands-can-earn-scale-and-sustain-value-growth/
⁴ RCELL — Site institucional e portfólio. Consulta realizada em agosto de 2026.
https://rcell.com.br/